O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Eduardo Botelho (União), afirmou que o agronegócio de Mato Grosso teria um prejuízo incalculável, em caso de uma intervenção militar. O pedido é feito por apoiadores do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) que não aceitam o resultado da eleição que reconduziu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto.
De acordo com Botelho, não houve nenhuma ilegalidade nesta eleição e as urnas eletrônicas são, comprovadamente, invioláveis. O deputado contou que participou de experimentos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde relatou ter visto de forma clara que não tem como violar as urnas. O parlamentar aponta que não há possibilidade de fraude e afirmou que os bolsonaristas que esperavam algo diferente do relatório apresentado pelas Forças Armadas estavam ‘desconectadas da realidade’.
“Falam que teve urnas apenas com votos para o Lula, mas também tivemos outras com votos apenas para o Bolsonaro. E aí, teve fraude também? Questionar se o Lula deveria ou não participar, não pode ser feito agora, mas sim lá atrás, quando ele foi absolvido no STF. Se alguém tinha esperança de ver um relatório diferente, eram pessoas que estavam desconectadas da realidade”, afirmou na manhã desta quinta-feira (10), em entrevista à rádio Conti.
O deputado destacou ainda os impactos que uma possível intervenção militar resultaria na economia do país. Segundo Botelho, um dos setores que mais sofreria com os embargos internacionais, seria justamente o agronegócio, onde estão a maior parte dos apoiadores de Jair Bolsonaro, que pedem que as Forças Armadas realizem a intervenção. Segundo o parlamentar, nem mesmo o presidente da República, Jair Bolsonaro, seria mantido no Palácio do Planalto, alfinetando ainda deputados recém eleitos que defendem a manobra, destacando que eles também perderiam os cargos.
“Pedir intervenção militar, nós não podemos aceitar. Ela criará um prejuízo imenso para o país. Terá embargos, bloqueio, o agronegócio sofrerá perdas que eles não têm noção do tamanho. Vejam os países que vivem sob intervenção militar. São fracassados, que vivem sempre no atraso. A África tem vários países que sofrem com este tipo de situação. Não é isso que queremos para o Brasil. Precisamos do que é o melhor para o mundo, que é a democracia e o respeito à Constituição. E se tivesse uma intervenção, a primeira coisa que eles fariam seria tirar o Bolsonaro de lá, colocar um general e fechar o Congresso”, apontou.
RENOVAÇÃO NA ALMT
Eduardo Botelho também comentou sobre o grande número de deputados estaduais reeleitos nas eleições deste ano. De acordo com o deputado, que comandou a ALMT por vários anos desde 2015, a baixa renovação é resultado do trabalho que tem sido feito pela Casa, principalmente no que diz respeito à credibilidade do parlamento. Em uma mensagem direta às antigas gestões, ele destacou que o parlamento não tem mais sofrido com operações policiais e que os colegas que não se reelegeram em 2018, sofreram com o impacto dos escândalos de corrupção anteriores a 2015.
“A ALMT passou por uma transformação e uma mudança de rumos. Ela começou em 2015 e se consolidou nestes últimos oito anos. Houve uma perda grande de deputados em 2018, por conta do que vinha acontecendo antes de 2015 e muitos sofreram com isso, acabando saindo da Assembleia. A partir de 2019, fizemos um trabalho que resultou em uma credibilidade maior da Casa, o que foi refletido nas eleições. Dos 22 que disputaram a reeleição, 18 retornaram, e os dois que disputaram para deputado federal, tiveram mais de 50 mil votos”, disse.