
O ex-governador Pedro Taques conseguiu sobrestar (suspender) um processo em que figurava como réu num suposto esquema de interceptações telefônicas ilegais conhecido como “Grampolândia”. A decisão é da juíza da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, Celia Regina Vidotti, e foi proferida no último dia 7 de fevereiro.
Além do ex-governador, também são réus o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques (primo de Pedro Taques), o ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso, Zaqueu Barbosa, o ex-secretário Direitos Humanos, coronel Airton Benedito Siqueira Júnior, o ex-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, e o hoje sargento Gerson Luiz Corrêa Junior.
Com o sobrestamento, o processo deve permanecer sem movimentação ou novas fases por até um ano. Na prática, porém, os réus estão a um passo de escapar da ação com sua possível anulação.
O ex-governador alegou nos autos que não teve acesso a todo o acervo probatório do processo, o que teria dificultado sua defesa. A juíza Celia Regina Vidotti concordou com o argumento, dizendo que a “não disponibilização de todo o acervo probatório produzido nos inquéritos policiais, que apuraram os mesmos fatos, o que impediria o pleno exercício da ampla defesa”.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado (MPMT), “adversários” do ex-governador Pedro Taques foram grampeados em 2014, eleição vencida por Taques.
“[Os grampos] Produziu relatórios investigativos (subscritos pelo Requerido Cb GERSON) que culminaram na interceptação indevida dos advogados de campanha dos candidatos Lúdio Cabral (PT) e Janete Riva (PSD), respectivamente José Patrocínio e José Antônio Rosa, bem como na interceptação do próprio candidato Muvuca”, diz a denúncia.
O MPMT lembra ainda de escutas que foram realizadas contra uma ex-amante de Paulo Taques.