Lúdio “supera passado” apoiando representantes do agro de MT na equipe de transição de Lula

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O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) considerou positiva a participação do senador Carlos Fávaro (PSD) e do deputado federal cassado, Neri Geller (PP), na equipe de transição do governo Lula (PT). Lúdio conversou com jornalistas após sessão da Assembleia Legislativa (ALMT) na última quinta-feira (17) e negou incoerência ao comemorar a participação dos dois no processo.

Acontece que durante as eleições de 2022, ele foi um dos críticos dentro do partido em Mato Grosso contra a aliança pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PcdoB) com o agro. O parlamentar criticou à época a presença de representantes do agronegócio no projeto – casos de Fávaro e Geller.

“Uma é a disputa política de Mato Grosso, que apontaria de que lado o PT está e que lado o PT representa. O PT em Mato Grosso representa um projeto alternativo ao projeto dos gigantes. E, nesse contexto, não faz sentido a gente estar junto numa disputa eleitoral. Agora, o Lula presidente, ele precisa de nomes do agronegócio para discutir o seu plano de governo para essa área. São duas questões distintas, por isso, eu reconheço que são nomes qualificados do agronegócio para discutir isso”, posicionou-se Lúdio.

À época do pleito, Lúdio lembrou em diversas ocasiões que os governos Lula e Dilma apresentam contextos históricos de apoio importante ao desenvolvimento do agronegócio no país, mas, associado ao fortalecimento da agricultura familiar e à proteção ambiental. Em outro momento, afirmou que o PT foi traído pelo setor e, por isso, repudiou a composição.

Na avaliação de Lúdio, a nova gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, com início a partir de 1º de janeiro de 2023, é de frente ampla, formatada para superar retrocessos, mirando no fortalecimento da democracia, das instituições públicas e para o reestabelecimento da civilidade.

“Mas essa é uma tarefa árdua que depende de diálogo com amplos setores. Quando o governo Lula começar o debate sobre para onde irão os recursos orçamentários e que áreas serão priorizadas, nós que estamos do lado de cá teremos que defender a agricultura familiar, a ecologia… Outro modelo de exploração econômica para Mato Grosso. Enfim, nós vamos lutar para que a interlocução do Lula em Mato Grosso seja com os trabalhadores, e não os patrões”, colocou.

Apesar de considerar positivas tanto as participações de Fávaro e Neri no Grupo de Trabalho da Agricultura, quanto a da deputada federal Rosa Neide (PT) no grupo que representa a Educação, Lúdio sentiu falta de um nome para representar o meio ambiente.

“Muito positiva ter representante de cada área para poder participar do debate. Eu só senti falta de alguém da área ambiental de Mato Grosso para a transição e tenho cobrado isso da direção do Partido dos Trabalhadores. Mato Grosso é um estado muito sensível e importante. A gente tem Pantanal, a gente tem Cerrado e tem Amazônia”.

As críticas de Lúdio Cabral possuem como pano de fundo a disputa interna do partido e de suas correntes. No pleito ao governo de Mato Grosso, Cabral, por exemplo, defendia que o cabeça da chapa fosse um nome ligado ao PT. O também deputado estadual Valdir Barranco (PT), que faz parte do grupo majoritário da agremiação em Mato Grosso e apoiou a aproximação do agro e da federação desde o início do ciclo eleitoral, validou o nome da primeira-dama de Cuiabá, Marcia Pinheiro (PT), como candidata ao governo. Ela  acabou sendo derrotada por Mauro Mendes (UB). 

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