O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) criticou lideranças do agronegócio em Mato Grosso que começaram a demonstrar simpatia pela candidatura do ex-presidente de Lula à presidência. Para Lúdio, essa aproximação é contraditória. Ele chamou os representantes do setor de oportunistas, já que Lula aparece bem colocado nas pesquisas de intenções de votos.
“Nós não precisamos do apoio político do agronegócio. O agronegócio detém o poder econômico no Estado e é responsável pelas contradições que Mato Grosso vive. Se nós temos fila do osso em Mato Grosso, isso se deve à política de pesos que enriquece os poderosos do agronegócio. Nós temos 500 mil pessoas passando fome em Mato Grosso e, ao mesmo tempo, que o Estado exporta milhões e milhões de toneladas em soja para enriquecer alguns poucos”, declarou Lúdio, nesta quarta-feira (9), durante entrevista na Assembleia Legislativa.
Ocorre que, recentemente, o pré-candidato ao Senado, Neri Geller (PP), e o senador Carlos Fávaro (PSD) já admitiram a possibilidade de aliança com Lula.
Neri Geller foi ministro de Agricultura da ex-presidenta Dilma Rouseff (PT), chegou a receber convite para participar de reunião com Lula em São Paulo, realizado na última terça. O evento não contou com a presença do progressista. O senador Carlos Fávaro, que pode coordenar a campanha do deputado ao Senado, contudo, defendeu recentemente o diálogo com a esquerda. O parlamentar também foi presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT).
“O agronegócio tem representantes político de que certa forma estão buscando aproximação com a candidatura do Lula, mesmo fazendo parte da base de sustentação do governo Jair Bolsonaro (PL), mais uma contradição e na minha opinião o PT e o Lula não precisam do agronegócio em MT, não existe essa necessidade. Fernando Haddad em 2018 conseguiu 35% dos votos num momento muito difícil o PT em MT. O Lula candidato, hoje, e a população reconhecendo papel que ele pode exercer para corrigir essas distorções dará uma votação expressiva ao Lula sem a necessidade de apoio do agro. O agro não tem voto e agro tem dinheiro e nós não precisamos de dinheiro para vencer as eleições”, finalizou.